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Bióloga cria baratas, ratos e vermes para ração

Negócio virou fonte de renda; são 40 mil baratas e milhares de outros insetos;

BARATAMÓVEL Marcia e sua Toyota Bandeirante: elas param o trânsito

Por que alguém conviveria com 40 mil baratas, 2500 ratos, 35 mil grilos e mais de 20 mil larvas? Repugnante? Para a bióloga e veterinária Márcia Carvalho, não. Há mais de 20 anos ela transformou a criação destes bichos, argh, bizarros em um negócio lucrativo. Pagou faculdade – cursou biologia e veterinária, comprou carro zero criando e vendendo insetos.

 Conhecida como Marcia Barata, a paulistana de hábitos pouco convencionais, mantém sua criação num sítio em Morungaba – a 110 km de São Paulo. E trata seus insetos com dedicação e zelo. Quase bichos de estimação. As baratas, por exemplo, têm tratamento vip. São alimentadas com ração, frutas, vitaminas e água filtrada, longe, bem longe do contato com pessoas. "Senão, elas ficam estressadas", explica a bióloga.
 A história de amor por bichos estranhos começou na infância. Enquanto as amigas corriam ao menor sinal de um inseto, Márcia encarava os animais como bichinhos de pelúcia. "Quando era pequena colecionava borboletas, minhocas e até escorpiões. As pessoas achavam estranho, mas sempre gostei".
 Mas foi na Universidade Guarulhos (UnG), em 1985, quando cursava Biologia, que surgiu o interesse pela criação. "Encontrei uma barata diferente e levei para a alimentação de aranhas da faculdade, mas a barata deu cria e, por incentivo dos professores, resolvi levá-la pra casa. Adquiri matrizes limpas e comecei a criar". 
Daí para a profissionalização do negócio foi rápido. Márcia montou um biotério em São Paulo, que apelidou de Baragril e fez desse trabalho sua fonte de renda. "Os bichinhos servem de alimentação para cobras e lagartos, portanto, as lojas de animais exóticos são o principal cliente, mas as baratas são muito requisitadas para brincadeiras de programas de TV, e até pessoas que querem fazer uma ‘surpresa’ para alguém". 
Grilos e larvas de tenébrio também são usados na culinária. Acredite, a bióloga afirma que uma farofa deste bicho contém muita proteína. E há quem aprecie o prato. "É muito bom", disse.
 A iguaria à base de grilo e larva reúne vários condimentos e três tipos de farinha. "Faço em casa de vez em quando. Quem prova, adora". 
 OUTROS BICHOS 
Com o passar do tempo, outros animais foram chegando ao Baragril e a bióloga precisou acomodá-los melhor. Por isso, mudou-se para o interior de São Paulo. Lá, ela mantém, em média 200 mil animais. Cria cavalos, galinhas, cabras, coelhos, gatos, cachorros, entre outros. Para manter o minizoológico, a bióloga gasta por mês, no mínimo, R$ 3 mil, dinheiro que adquire com a venda de insetos e atendimentos veterinários que faz em domicílio.
Recolher animais abandonados é outra tarefa. Ela pega os bichinhos na rua, debilitados, cuida, castra e incentiva a posse responsável. "Tenho 62 cachorros e 15 gatos esperando pais adotivos".
 O amor por bichos é tanto que ela não suporta ver maus tratos. "Outro dia, pulei o muro de uma casa para resgatar um cachorro que estava amarrado num poste, com fome, sob sol e chuva".BARATAMÓVEL 
Não basta apenas criar bichos estranhos, é preciso ter estilo. Para fazer entrega, nada mais original do que um veículo completamente personalizado para o ofício. Márcia usa uma Toyota Bandeirante ano 77, batizada de Baratamóvel. O carro é adaptado com luz néon, escapamento que solta fumaça perfumada, buzinas com som de mugido de boi e muitos bichos de borracha. 
Para se ter uma ideia da "criação ambulante", são dezenas de baratas de borracha espalhadas pelo carro, além de besouro, jacaré, lagarto, águia, cobra, muitos ratos. "É um carro alegórico. As pessoas, principalmente as crianças, querem ver o veículo por dentro, passear e tirar fotos. Dão muitas risadas. O carro para o trânsito, literalmente", conta. 
Trata-se do único meio de locomoção, portanto é impossível evitar o assédio em estacionamentos de supermercados, bancos, lava-rápido e postos de gasolina. E são muitas as situações engraçadas. "Certa vez um frentista se recusou a abastecer meu carro tudo porque tenho uma aranha de borracha no tanque do combustível. O cara deu um pulo e disse: ‘Moça, tenho pavor de aranha", conta.Um adesivo no carro deixa clara a profissão: "Você precisa de baratas, ratos, grilos e larvas? Disque 9706-5560".
 Fonte: Lucine Oliveira
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