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Renda maior aumenta gastos com beleza e faz de salão o negócio da vez

Em SP, são lançados mais negócios no setor de beleza do que lanchonetes.
Número de salões no país cresceu 78% em cinco anos, diz associação.

Sandra Ribeiro (Foto: Darlan Alvarenga/G1)Sandra Ribeiro investiu cerca de R$ 30 mil para abrir seu próprio negócio (Foto: Darlan Alvarenga/G1)

Depois de 25 anos trabalhando como funcionária, a manicure Sandra Ribeiro decidiu abrir o seu próprio salão. Juntou as economias que tinha, fez um empréstimo no banco e com a ajuda dos filhos reuniu cerca de R$ 30 mil para mobiliar um imóvel alugado com cadeiras, sofás, espelhos e instrumentos básicos. O local escolhido foi uma garagem no bairro de Perdizes, Zona Oeste de São Paulo, numa rua onde existem outros cinco salões a menos de 100 metros de distância. Mas, segundo ela, o movimento das primeiras semanas do negócio tem mostrado que clientela é o que não falta.

“Tem muito salão, mas também tem muito prédio e muita mulher dentro de cada prédio”, diz a empreendedora, que agora virou patroa de duas funcionárias e já chega a atender 15 clientes por dia. “Os primeiros dias foram difíceis. No primeiro, atendi um único cliente. No segundo, foram dois, e depois foi aumentando. Estou tendo que conquistar uma nova clientela. Mas está melhor do que imaginei e acho que foi a melhor coisa que eu fiz”, completa.

Como Sandra, muitos outros empreendedores têm apostado alto na vaidade do brasileiro, e ajudado a impulsionar o crescimento do setor de serviços do país, que se destaca no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. No segundo trimestre deste ano, os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que os serviços tiveram expansão de 0,8%, a maior entre os setores da economia.

Dados da Junta Comercial mostram que na cidade de São Paulo o número de registros em cartório de novos estabelecimentos ligados ao setor de beleza já supera, por exemplo, o de lanchonetes e estabelecimentos similares como casas de chá e de sucos.

Entre janeiro e julho deste ano, foram abertas em São Paulo 2.445 empresas de serviços relacionados à beleza, uma alta de 85% em relação ao número de registros no mesmo período do ano passado (1.317). Já o número de abertura de lanchonetes e similares subiu de 1.705 em 2010 para 1.989 em 2011 (alta de 12,5%). Segundo os dados da Junta, existem em atividade na cidade 10.123 estabelecimentos ligados à beleza e 40.552 lanchonetes.

No país, o número de salões de beleza cresceu 78% em cinco anos, de 309 mil, em 2005, para 550 mil, em 2010, segundo levantamento da Associação Nacional do Comércio de Artigos de Higiene Pessoal e Beleza (Anabel).

Parte do crescimento se deve ao incentivo à formalização pelo programa federal que criou a figura jurídica do Empreendedor Individual para negócios com receita bruta anual de até R$ 36 mil. Com burocracia reduzida e menores alíquotas, o programa tem facilitado a legalização e o registro no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), o que faz com que muitos desses pequenos estabelecimentos passem tanto a emitir nota fiscal como a ter acesso a financiamentos, além de garantir a cobertura da Previdência Social.

Segundo dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o número de empreendedores individuais formalizados já soma 1,5 milhão no país. Desse total, os cabeleireiros ocupam o 2º lugar na lista das principais ocupações, com 7,6% do total de registros - percentual inferior apenas ao de empreendedores ligados ao comércio de vestuário e acessórios (10,5%). Somados todos os cabeleireiros que aderiram ao programa e os profissionais de atividades de estética e beleza, o número passa de 146 mil empreendedores, correspondendo a quase 10% de todos os registros.
Para a coordenadora de projetos de serviços do Sebrae, Karen Sitta, o baixo custo de investimento para abrir um salão e o rápido retorno podem ajudar a explicar porque há tantos negócios do gênero. “É moda, mas é um mercado que tem tido muita procura e um crescimento fantástico. E como o custo é relativamente baixo, é natural que seja o caminho e a oportunidade que muitos encontram para abrirem seu próprio negócio”, diz.

Ela chama a atenção, no entanto, para a necessidade de buscar a profissionalização e a capacitação da mão de obra para não correr o risco fechar as portas. “Os empreendedores precisam entender o salão como negócio. Não basta só abrir o ponto”, diz. Karen lembra que é preciso lidar com uma série de regulamentações e normas técnicas de higiene e saúde e, sobretudo, saber gerenciar a equipe. “Como a rotatividade no setor é alta, investir na qualificação técnica e na retenção de talentos passou é estratégico”, avalia.
Classe C lidera alta de gasto com beleza
O aumento dos gastos dos brasileiros com beleza talvez seja a principal razão para o aumento do número de salões. Pesquisa do Instituto Data Popular mostra que as despesas com higiene e cuidados pessoais saltaram 388% em oito anos, de R$ 8,9 bilhões em 2002 para R$ 43,4 bilhões em 2010. Segundo o levantamento, a classe C (famílias que ganham entre três e 10 salários mínimos) liderou a alta, respondendo por 45,64% dos gastos (Veja quadro ao lado).

Estudo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio) mostra que os gastos dos brasileiros com serviços de cabeleireiros cresceram 44% em seis anos, movimentando por mês mais de R$ 1 bilhão, praticamente o mesmo valor consumido pelas famílias com frango.

Dados do Euromonitor de 2010 mostram que o país é o terceiro maior mercado de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e do Japão. Na venda de desodorante, produtos infantis e perfumaria o Brasil já é o maior mercado mundial.

Segundo a Indústria Brasileira de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), as 1.659 empresas que atuam no mercado faturaram em 2010 R$ 27,3 bilhões, uma alta de 11,8% em relação a 2009.

Mudanças de hábito
Para Renato Meirelles, sócio-diretor do Data Popular, a elevação dos gastos com beleza está diretamente ligada ao aumento do poder aquisitivo das classes mais baixas e, principalmente, à maior presença da mulher no mercado de trabalho. “Ao sair do bairro para trabalhar, a mulher passa a investir mais nela mesma e tem uma desculpa racional para gastar mais com vaidade”, afirma.

Segundo levantamento do instituto, o número de mulheres com carteira assinada subiu 53,4%, em 9 anos, passando de 9,5 milhões, em 2002, para 14,7 milhões, em 2011.

“Se antes as mulheres começavam a ir ao salão aos 17, 18 anos, ou quando precisavam se preparar para uma ocasião especial, hoje meninas de 10, 11 anos já vão para os salões com as mães simplesmente para se manterem bonitas”
Luciane Beltra, da Beauty Fairr

A indústria também teve mudanças. Meirelles afirma que o número de opções e de variações do mesmo tipo de produtos praticamente triplicou nos últimos nove anos. "Já foi o tempo em que só havia três tipos de shampoo: para cabelos secos, oleosos e normais", diz.

De acordo com Luciane Beltran, diretora da Beauty Fair, maior feira de cosméticos e beleza do país, que acontece neste mês em São Paulo, as empresas passaram a investir mais em lançamentos e em inovações para todos os biótipos e classes sociais.

“De item de desejo, a beleza passou a fazer parte da cesta de consumo básico das pessoas e é um mercado que não depende de crédito, pois vive da própria renda dos brasileiros”, afirma Luciane. Ela também destaca que as pessoas vão cada vez mais cedo ao salão e com mais frequência. “Se antes as mulheres começavam a ir ao salão aos 17, 18 anos, ou quando precisavam se preparar para uma ocasião especial, hoje meninas de 10, 11 anos já vão para os salões com as mães simplesmente para se manterem bonitas”, acrescenta.

Para os representantes do setor, ainda há espaço para o mercado de beleza crescer ainda mais no país. “Novas categorias são lançadas a toda hora e há uma série de produtos cuja penetração ainda é pequena entre os consumidores”, diz Meirelles. Entre os itens ainda com baixa penetração ele cita o protetor solar, os cremes corporais e os produtos de maquiagem.

“Outro mercado que ainda está começando no Brasil é o de produtos para homens”, acrescenta Luciane. Ela destaca que o de produtos voltados para o público masculino cresceu 9% no país em 2010. “Aos poucos está sendo deixado para trás o tabu de que cosmético é coisa só para mulher”, garante.

Celébrité, híbrido de salão de beleza, spa urbano e espaço cultural (Foto: Darlan Alvarenga/G1)

Investimento classe A
Para quem já está acostumada aos salões, o setor de beleza também tem oferecido novos mimos. A uma quadra de distância do salão de Sandra, por exemplo, a empresária Gabriela da Matta, mulher do ex-jogador do São Paulo, Rodrigo Souto, inaugurou há pouco mais de um mês o Celebrité, híbrido de salão de beleza, spa urbano e espaço cultural, instalado num prédio de três andares, com área de 500m2, incluindo jardim de inverno, sala VIP para reuniões de amigas e festas, prateleira de livros para leitura, área de recreação para crianças e espaço gourmet com piano de cauda na entrada.

“Pensamos em diferenciais para desassociar a beleza da ideia de futilidade e de que se perde tempo em salão”, diz Mariana Barganian, idealizadora do espaço. “Nosso público alvo são mulheres da classe A, geralmente a partir de 28 anos, que já são mães e que buscam conforto, qualidade e também querem status”, explica.

Celebrité, híbrido de salão de beleza, spa urbano e espaço cultural (Foto: Darlan Alvarenga/G1)

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